Tudo Sobre: Déjà Vu

Deja-vu-hay-una-explicacion-cientifica-3

Você está tranqüilo, andando por aí. Lá no canto, um homem entrega balões a uma menininha. Uma cena sem nada de mais. Aí, de repente, BOOM: você olha e sabe que já viu aquilo antes. A expressão da menina, a posição das bexigas, o gesto do sujeito… Tudo parece “no lugar certo”. Tudo se repete igualzinho como aconteceu antes.

A sensação é mágica: você consegue prever cada “quadro” da cena, como se estivesse dentro de um filme que já assistiu. Está ciente de tudo o que vai acontecer. Presente e futuro se transformam numa coisa só.

Então… C’est fini. Acabou o déjà vu. A familiaridade com a cena vai para o ralo em segundos. Tudo fica tão frugal e imprevisível quanto antes. E tudo o que sobra é a lembrança de uma experiência quase mística.

 

O que é?

Déjà vu é um galicismo (palavra ou expressão de origem francesa, ou afrancesada, tendo ou não mantida a sua grafia original) que descreve a reação psicológica da transmissão de idéias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa: “Já visto“.

 

Um Pouco de História

A história começa com um geneticista americano, Susumu Tonegawa, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Ele estudava um traço bem conhecido da mente: aquilo de um fragmento qualquer de memória trazer cenários completos do passado. Sabe quando você sente algum cheiro que lembra a infância, como o da comida da sua avó, e sua cabeça praticamente viaja no tempo? Então.

Tonegawa descobriu que essa sensação nascia numa área específica do cérebro. E imaginou que com os déjà vus seria a mesma coisa, que eles tivessem uma morada no cérebro – no caso, um lugar minúsculo dentro do lobo temporal chamado giro dentado.

Para testar a hipótese, ele usou engenharia genética e criou um ratinho de laboratório com essa parte do cérebro desregulada. Depois pegou o bicho e colocou-o numa caixa com um rato normal.

E começou a dar choquinhos nos pés da dupla. A cada descarga eles ficavam paralisados. Então colocou os dois numa outra caixa, parecida com a primeira, mas sem os choques. Como Tonegawa esperava, os roedores estavam condicionados: paralisaram logo que entraram na caixa, como se a tortura tivesse começado de novo.

O rato normal, no entanto, percebeu rapidinho que não estava acontecendo nada. E relaxou. Só que o transgênico não: continuou paralisado, como se os choques estivessem acontecendo. O rato confundia memória com realidade. Para Tonegawa, isso revelava a mecânica secreta dos déjà vus. Ele concluiu que o giro dentado capenga fez o animal perder a capacidade de diferenciar uma caixa da outra e entrar numa espécie de déjà vu eterno.

Para você entender isso melhor, vamos para um exemplo palpável. Imagine que você está num aeroporto. Os guichês, os painéis, as escadas rolantes… Tudo é parecido com o que tem em qualquer aeroporto. Aí, se o seu giro dentado der um tilt por um segundo, você fica que nem o rato: perde a capacidade de discernir aquele aeroporto dos outros. Sente que já esteve lá. Tem um déjà vu.

Isso também ajuda a explicar por que eles acontecem mais entre pessoas jovens e viajadas. Primeiro, porque os mais novos têm uma vida menos rotineira. Costumam variar de cenário, o que os deixa mais propensos a viver déjà vus – é mais fácil ter um ao acordar num quarto desconhecido, por exemplo, do que no seu, onde você realmente está acostumado com tudo. E o fato de viajar bastante só turbina a coisa.

Quando a experiência de Tonegawa veio a público, em 2007, foi tratada por alguns como a explicação definitiva para o mistério. Mas a maior parte dos pesquisadores acha que ainda é cedo para uma conclusão dessas. Eles imaginam que o déjà vu pode ser como dor de estômago: ter várias causas – as que você viu aqui mais outras tantas ainda a descobrir.

Segundo ele, o tipo de memória que permite as pessoas diferenciar rapidamente rostos e lugares diminui com o tempo.

Como sabemos agora o percurso celular e molecular baseados em nossos resultados, há uma possibilidade de usar esses alvos moleculares para desenvolver um medicamento para melhorar essa conexão“, afirmou.

dejavu

 

Explicação Científica

O cérebro possui vários tipos de memória, como a memória imediata, responsável, por exemplo, pela capacidade de repetir imediatamente um número de telefone que é dito, e logo em seguida esquecê-los; a memória de curto prazo, que é aquela que dura algumas horas ou dias, mas que pode ser consolidada; e a memória de longo prazo, que dura meses ou até anos, exemplificada pelo aprendizado de uma língua.

O déjà vu acontece quando ocorre uma falha no cérebro, os fatos que estão acontecendo são armazenados diretamente na memória de longo ou médio prazo, sem passar pela memória imediata. Isso nos dá a sensação que o fato já ocorreu alguma vez.

Pesquisas indicam que cerca de dois terços das pessoas experimentam essa sensação pelo menos uma vez na vida.

 

BONUS! – Teorias

Inicio de premonição

Alguns parapsicólogos dizem que todos os seres humanos tem o poder de prever o futuro.

Mas é um processo difícil de aprender, tão difícil que pode demorar mais de 50 anos treinando técnicas e debulhando livros de Parapsicologia. E mesmo assim, não existe a certeza que você consiga? Logo, quem vai ser louco de arriscar?

As pessoas que relatam que conseguem dominar esse fenômeno paranormal, geralmente nascem com o dom desenvolvido, segundo estudiosos do tema. E aí que se encaixa o déjà vu. Esse “dom” por alguma razão não especifica, hora ou outra se manifesta e sua consciência avança no tempo.

 

Reencarnação e Sonhos

Nas teorias que associam o déjà vu a sonhos ou desdobramento do Espírito, onde o Espírito teria realmente vivido estes fatos, livre do corpo, surgiriam as lembranças de encarnações passadas, o que levaria à rememoração na encarnação presente.

Algumas dessas teorias consideram o sono a libertação da alma diante as leis físicas. Assim, algumas coisas como o tempo não se comportaria como se comporta para nós, enquanto estamos acordados. Livros de Parapsicologia descrevem que o espirito passa por diversas experiências durante o tempo que você dorme, pois o que significa, por exemplo, 8 horas , sem o comportamento natural do tempo, poderia ser anos.

O Espirito vai para frente e para trás no tempo e também para outros lugares e dimensões e quando você acorda é tanta informação para ser assimilada que o cérebro interpreta da maneira que se adeque melhor ao funcionamento do organismo. Por isso, a reação são sempre sonhos confusos aonde você está em um lugar uma hora e em um momento posterior você já se teleportou para outro.

 

A Distorção do Senso de Tempo

A Parapsicologia considera a mente algo independente do cérebro. A consciência seria livre em certos momentos, como dito anteriormente, no estado do sono.

Entretanto, durante o seu estado desperto, ela poderia se expandir e quando esse evento ocorre, você perde a noção do seu tempo real e dispara para um tempo alternativo, no caso, indo para o futuro e retornando imediatamente para o passado trazendo consigo informações.Ao se deparar com dada situação, você percebe que já vivenciou aquilo.

Tem vertentes que vão mais longe. Uma delas apoia-se na teoria que o comportamento do tempo não seja linear mas sim, teria comportamento de loops.

Em um loop, em certo ponto do tempo, você deixa de avançar e passa a retornar ao passado, até chegar a um ponto crítico onde o loop para de retornar ao passado e começa a avançar para o futuro novamente.

Esse ponto é o inicio e também o fim do loop e quando se cruzam geraria o chamada déjà vu. É importante deixar claro que essa teoria considera o tempo como parâmetro individual para cada individuo.

 

Teoria dos Desejos Reprimidos

Sigmund Freud teorizou que essas experiências resultavam de desejos reprimidos ou memórias relacionadas com um evento estressante que as pessoas não queriam mais admitir como memória regular.

Os cientistas usaram essa teoria, chamada de paramnesia, para explicar o déjà vu durante boa parte do século XX. Nenhuma pesquisa foi feita em relação a teoria defendida. Tudo se baseava no “achismo”. Logo essa teoria não pode se manter frente a evolução do rigor cientifico, embora muitos psicólogos até hoje a defendem.

 

Atenção Dividida (Teoria do Telefone Celular)

Dr. Alan Brown vem tentando recriar um processo que ele acha ser similar ao déjà vu. Em estudos na Duke University e SMU, ele e a colega Elizabeth Marsh testaram a idéia da sugestão subliminar. Eles mostraram fotografias de vários locais a um grupo de estudantes, planejando perguntar a eles quais locais eram familiares.

Antes de mostrar aos estudantes algumas das fotografias, eles projetaram instantaneamente as fotos na tela a velocidades subliminares (cerca de 10 a 20 milisegundos), tempo suficiente para o cérebro registrar a foto, mas não suficiente para o aluno percebê-la conscientemente.

Nessas experiências, as imagens que tinham sido mostradas subliminarmente foram apontadas como sendo familiares em uma proporção muito maior do que as que não tinham sido mostradas, embora os estudantes que realmente estiveram naqueles locais tenham sido tirados do estudo.

Larry Jacoby e Kevin Whitehouse, da Universidade de Washington, fizeram estudos similares usando listas de palavras e tiveram resultados parecidos.
Com base nessa idéia, Alan Brown propôs o que ele chamou de teoria do telefone celular (ou atenção dividida).

Isso significa que, quando estamos distraídos com alguma outra coisa, captamos subliminarmente o que está ao nosso redor mas não registramos de modo consciente. Então, quando somos capazes de nos concentrar no que estamos fazendo, esses ambientes periféricos dão a sensação de já serem familiares para nós, mesmo quando não deveriam ser.

Com isso em mente, é lógico entender como podemos andar por uma casa pela primeira vez, talvez ao conversar com o dono da casa e ter um déjà vu. Poderia funcionar mais ou menos assim: antes de realmente olharmos para o local, nosso cérebro já o processou visualmente e/ou através do odor ou som, de modo que, quando realmente olhamos para ele temos a sensação de que já estivemos lá antes.

 

A Teoria do Holograma

O psiquiatra holandês Hermon Sno propôs a idéia de que as memórias são como hologramas, significando que você pode recriar a imagem tridimensional inteira a partir de qualquer fragmento do todo.

Contudo, quanto menor o fragmento, mais confuso o quadro final. O déjà vu, segundo ele, acontece quando algum detalhe do ambiente onde estamos no momento (uma vista, som, odor, etc.) é similar a algum resquício de memória do nosso passado e o cérebro recria uma cena inteira a partir desse fragmento.

Outros pesquisadores também concordam que um pequeno fragmento de familiaridade pode estar semeado, criando a sensação de déjà vu. Por exemplo, você sai para dar uma volta com um amigo em carro antigo do ano 64 e tem uma forte sensação de déjà vu, mas não chega a lembrar (ou nem mesmo está ciente do fato) que seu avô tinha o mesmo tipo de carro, e você está lembrando de quando andou nesse carro quando era bem pequeno.

O cheiro, a aparência e a textura do assento ou do painel podem trazer de volta memórias que você nem sabia que existiam.

 

Processamento Duplo (ou Visão Atrasada)

Outra teoria baseia-se no modo como nosso cérebro processa as informações novas e como ele as armazena em memórias de longo e curto prazo.

Robert Efron testou uma idéia no Veterans Hospital de Boston, em 1963, que se mantém como uma teoria válida atualmente. Ele propôs que uma resposta neurológica atrasada causa o déjà vu. Como a informação entra nos centros de processamento do cérebro através de mais de uma via, é possível que ocasionalmente essa mistura de informações não ocorra em total sincronia.

Efron descobriu que o lobo temporal do hemisfério esquerdo do cérebro é responsável por classificar as informações que chegam. Ele descobriu também que o lobo temporal recebe duplicadas essas informações, que chegam com um leve atraso (de milissegundos) entre elas: a primeira vem diretamente e a outra passa primeiro pelo hemisfério direito do cérebro.

Se essa segunda transmissão tem um atraso um pouco maior, o cérebro pode classificar de modo errado essa parte da informação e fazer seu registro como sendo uma memória passada, porque ela já foi processada. Isso poderia explicar o súbito senso de familiaridade.

 

“Memórias” de Outras Fontes

Essa teoria propõe que temos muitas memórias armazenadas que vem de diferentes aspectos da nossa vida, incluindo não apenas nossas próprias experiências mas também filmes e quadros que vimos, assim como livros que lemos.

Podemos ter memórias muito fortes de fatos sobre os quais lemos ou vimos sem que realmente os tenhamos experimentado, e com o tempo essas memórias podem ser empurradas para o fundo da nossa mente. Quando vemos ou experimentamos algo muito similar a uma dessas memórias, podemos experimentar uma sensação de déjà vu.

Por exemplo, quando era criança você pode ter visto um filme com uma cena em um restaurante ou ponto turístico famoso. Então, quando você já adulto visita o mesmo local, sem lembrar-se do filme, o local parece ser muito familiar.

 

Sonhos Precognitivos

Alguns pesquisadores, incluindo o cientista suíço Arthur Funkhouser, acreditam que os sonhos precognitivos são a fonte de muitas experiências de déjà vu.

J.W. Dunne, um engenheiro da aeronáutica que projetava aviões na Segunda Guerra Mundial, conduziu estudos em 1939 usando estudantes da Universidade de Oxford. Seus estudos descobriram que 12,7% dos temas dos sonhos tinham similaridades com eventos futuros. Estudos “recentes”, incluindo um realizado por Nancy Sondow, em 1988, apresentaram resultados similares de 10%.

Esses pesquisadores também juntaram evidências de sonhos precognitivos às experiências de déjà vu que ocorreram em algum ponto a partir daquele dia até oito anos depois. Tem-se perguntado por que as experiências propriamente ditas são normalmente de acontecimentos cotidianos banais.

Uma explicação de Funkhouser é que algo mais marcante tem maior probabilidade de ser lembrado, tornando menos provável uma experiência de déjà vu.

Embora o déjà vu venha sendo estudado como fenômeno por mais de 100 anos e os pesquisadores tenham várias teorias sobre sua causa, não há uma explicação simples para o que ele significa ou por que acontece.

Talvez, à medida que a tecnologia avança e aprendemos mais sobre o funcionamento do cérebro, também podemos aprender mais sobre os motivos desse estranho fenômeno.

 

…..

dejavuneo

No fim das contas, a explicação mais bacana continua sendo a da Trinity, de Matrix. Numa das cenas, o herói Neo olha para um gato preto, sente que já viu o bichano antes e diz:

Uau, Trinity. Tive um déjà vu….

E ela acaba com o mistério:

Um déjà vu é uma falha da Matrix, Neo. Acontece quando estão consertando alguma coisa

 

Fontes:
AhDuvido!
Wikipédia
SuperInteressante
G1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s