O Curioso Caso de Emilie Sagée

O que é?

Imagine a seguinte situação: você está no seu quarto, mexendo no seu Facebook, ouvindo aquela música gostosa, quando de repente entra seu irmão no quarto e diz que te viu na cozinha.

É claro que você responde que não estava lá, que ficou o tempo inteiro no seu computador, mas seu irmão insiste que te viu na cozinha e até falou com você. Loucura? Não. Segundo uma lenda alemã, existe um ser que tem o dom de “clonar” uma pessoa e imitá-la nos mínimos detalhes. Esse ser é chamado de Doppelgänger.

O nome Doppelgänger se originou da fusão das palavras alemãs doppel (significa “duplo”, “réplica” ou “duplicata”) e gänger (“andante”, “ambulante” ou “aquele que vaga”).

Doppelgänger, segundo as lendas germânicas de onde provém, é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de representar uma cópia idêntica de uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar. Tradicionalmente, diz-se que só o dono do doppelgänger pode ver este auto-fantasma, e que ele pode ser um prenúncio de morte.

Ocasionalmente, no entanto, um doppelganger pode ser visto por uma pessoa da família ou amigos, resultando em casos muito confusos. Muitos dizem que ele é considerado o lado negativo, que tenta influenciar a pessoa a fazer coisas cruéis, que ela não faria normalmente. Outros acreditam que esta criatura poderia ser um conselheiro invisível.

Dentre os diversos casos sobre esse ser, o caso contado a seguir é um dos mais famosos pelo mundo.

O caso de Sagée

Doppelganger_04

Um dos mais fascinantes relatos de um doppelgänger vem do escritor americano Robert Dale Owen, que ouviu a história de um doppelgänger por Julie von Güldenstubbe, a segunda filha do barão von Güldenstubbe.

Em 1845, quando von Güldenstubbe estava 13 anos de idade, ela foi enviada ao Pensionato von Neuwelcke, um colégio exclusivo para meninas; perto de Wolmar no que é agora a Letônia. Um de seus professores era uma francesa de 32 anos chamada Emilie Sagée.

Embora a administração da escola estivesse muito contente com o desempenho de Sagée junto aos alunos, ela logo se tornaria objeto de rumores e especulações estranhas. Sagée, ao que parece, possuía um doppelgänger que a perseguia por todos os lugares.

O caso deixou de ser tratado como insanidade quando os próprios alunos de Sagée puderam ver ambas ao mesmo tempo, o que não é o mais comum, já que alguns estudiosos têm a opinião de que somente o próprio dono pode vê-los.

Um dia, no meio da turma na sala de aula, enquanto Sagée estava escrevendo no quadro negro, seu doppelgänger apareceu precisamente ao lado dela; copiando cada movimento da professora tal como ela escrevia, com a exceção de que não detinha qualquer pedaço de giz entre os dedos.

O evento foi testemunhado por 13 alunos na sala de aula. Um incidente semelhante foi relatado em um jantar na qual seu doppelgänger foi visto em pé atrás dela, mimetizando os movimentos de sua alimentação, embora não utiliza-se nenhum dos utensílios como garfos ou facas.

No entanto, o doppelgänger nem sempre retrata o eco dos seus movimentos. Em várias ocasiões, Sagée seria vista em uma parte da escola, quando era conhecido de que ela estava em outro lugar, no exato mesmo horário.

O mais espantoso exemplo do caso Sagée teve lugar em plena vista de todo o corpo estudantil de 42 alunos em um dia no verão 1846. As meninas estavam todas acomodadas no hall da escola para suas aulas de costura e bordado. A medida que sentaram-se ao longo das mesas de trabalho, elas podiam ver claramente Sagée no jardim da escola colhendo flores.

Um outro professor foi supervisionar as crianças. Quando este professor deixou a sala para falar com a diretora, o doppelgänger de Sagée apareceu em sua cadeira – enquanto a verdadeira Sagée ainda podia ser vista no jardim.

As alunas observaram que os movimentos de Sagée no jardim pareciam muito cansados enquanto o doppelganger continuava sentado e imóvel na mesa da professora. Duas meninas munidas de uma coragem incomum para suas idades abordaram o doppel na tentativa de tocá-lo, mas sentiram uma estranha resistência do ar em torno dela; quando finalmente conseguiu “tocá-la”, o Doppelganger foi desaparecendo lentamente.

Sagée alegou nunca ter visto seu próprio doppelgänger, mas que sempre era tomada por um extremo cansaço repentino, como se suas forças estivessem sendo drenadas para fora de seu corpo; ela empalidecia e sentia fome, apesar de jamais conseguir comer após essas aparições.

Há controversas!

A ciência tenta explicar a possível existência de doppelgängers como sendo “o mau funcionamento da junção temporoparietal, uma região do cérebro responsável pela integração de sensações táteis, visuais e de posicionamento do corpo, que constantemente chega ao cérebro montando a forma pela qual se entende o mundo e o posicionamento de seu corpo ao que está ao seu redor.

Logo, se houver um evento em seu corpo que comprometa a junção temporoparietal, é possível que você “consiga se ver”. A questão é: Se o que a Ciência diz é verdade, como pode haver casos como os de Emilie Sagée?

Há também a possibilidade de que o caso de Sagée possa ser definido como Fenômeno de Bilocação, mas poderemos tratar desse assunto em um outro dia.

Fontes:
Perguntando para o meu Doppelgänger
Wikipédia
Assombrado
MorteSúbita
OTrecoCerto

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